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O Futuro Depende da nossa Capacidade de Adaptação: Controlo de Pragas
06/08/2021

O CONTROLO INTEGRADO DE PRAGAS PELA PROMOÇÃO DA BIODIVERSIDADE


Um dos problemas que surgem nos montados e que afetam a vitalidade das árvores, é a presença de pragas provocadas por diversos insetos, cujo ciclo de vida está relacionado com os sobreiros ou as azinheiras, que se alimentam de partes dos seus órgãos – tronco, ramos, folhas ou frutos.

Estes insetos fazem parte dos ecossistemas, e em regra geral, num sistema equilibrado e saudável não provocam grandes danos nas árvores, os prejuízos são pouco significativos, ou apenas causam danos nas árvores mais débeis. Por outro lado, também o número de insetos presentes é controlado pelos seus predadores: aves, anfíbios, répteis, mamíferos, outros insetos ou outros artrópodes. Num sistema ecológico equilibrado os diversos níveis tróficos da cadeia alimentar evitam que uma determinada espécie de insetos se multiplique ao ponto de se tornar uma praga.  

Os insetos que atacam estas árvores enquadram-se em dois grupos distintos: os agentes primários que atacam nas primeiras décadas de vida de uma árvore, e os agentes secundários, que atacam árvores mais velhas, que, em geral, também já foram atacadas anteriormente pelos agentes primários. São estes últimos que causam danos mais severos e que podem levar à morte de muitas árvores.

Um montado com árvores de várias idades, onde coexistem árvores centenárias e uma boa geração de árvores novas, para além de assegurar a longo prazo a sustentabilidade do sistema, permite também uma redução no ataque de pragas especialistas.

 A biodiversidade tem um papel regulador das populações de um ecossistema, no caso particular das aves insetívoras, sabe-se que são reguladoras naturais das populações de insetos em meios arborizados. No montado, o importante papel das aves no combate de pragas é um serviço do ecossistema que muitas vezes é descurado. Um montado bem equilibrado rico em avifauna, pode diminuir a necessidade de utilização de pesticidas no combate de pragas de insetos. 

     


Idealmente, num montado em equilíbrio, onde existam árvores mais velhas, a existência de cavidades naturais nos seus troncos envelhecidos proporciona condições para a nidificação ou abrigo de um diverso grupo de animais considerados como fauna auxiliar: aves insetívoras, anfíbios, repteis, pequenos mamíferos ou outros artrópodes.

No caso de não existirem cavidades naturais ou o seu número seja reduzido, a estratégia mais frequentemente utilizada consiste na disponibilização de abrigos para alguns grupos de animais da fauna auxiliar. Estes abrigos podem ser caixas ninho para aves (há de diversos tipos de acordo com o grupo de aves que se pretende beneficiar), caixas abrigos para morcegos, abrigos para insetos (também designados de hotéis para insetos), abrigos para mamíferos ou para anfíbios e répteis (que podem ser construídos de forma simples com amontoados de pedras ou lenhas).

No caso de não existirem pontos de água naturais, também se podem criar pequenos charcos que proporcionarão água para abeberamento da fauna selvagem, e de preferência que tenham também condições para abrigar e permitir a reprodução de diversas espécies de anfíbios.

Outra estratégia passa pela diversificação de espécies vegetais presentes no montado, o que permite também uma diversificação das comunidades de invertebrados, muitos dos quais são predadores de espécies de insetos que podem constituir pragas.

A diversidade da paisagem também afeta positivamente a diversidade biológica. A existência de descontinuidades e de zonas de características diversas propiciam as condições para maior disponibilidade de abrigos e áreas de alimentação, como muros de pedra, montes de pedra ou de lenhas, árvores caídas, linhas de água, galerias ripícolas, poços antigos, a manutenção de ruínas, ou a existência de mosaicos de diferentes culturas agrícolas, pomares ou sebes, entre outros.
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